O entardecer é o terror dos vivos. Dos vivos que vivem assim como eu, por um fio. O entardecer me suga a vitalidade assim como o horizonte suga a luz do sol. Não tente ver sentido ou ciência aqui. São palavras de uma mente perturbada, perseguida, com vozes do passado na cabeça. Vozes essas que de tanto repetirem absurdos e nonsenses, me vencem pelo cansaço. Acredito. Admiro as vozes. Elas são donas da persistência que já me abandonou. Óbvio que ela me abandou. Eu mesma me abandonei. Abandonei tudo. Até as palavras. Carrego a culpa de tudo no meu peito. Culpa até das palavras que saem da minha boca ou dos meus dedos. Sinto que a culpa é minha por espalhar o veneno do Demônio do meio-dia. Sinto que é minha culpa que assim como eu, outros também vivam por um fio. Me censuro por carregar no corpo e na alma essa doença amarga, que muda o destino de toda minha existência por segundos ou me imobiliza por anos. Quão narcisista é achar que sou culpada de tudo? Quão difícil é entender que o planeta gira em torno do sol e não de mim? Mais terrível do que sentir a areia movediça te engolir, é sentir que você não liga a mínima pra que isso aconteça. Que você até dá graças aos céus por ter essa areia te engolindo pra acabar com tudo o quanto antes. Nada é mais doloroso do que sentir que você não luta pela própria vida. E mais doloroso que isso, é estar anestesiado a essa dor ou a qualquer outra porque a areia te engoliu e a agonia é seu estado natural.
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