Epifania

 Peguei um ônibus aleatório. Realmente; destinos, objetivos ou metas nunca foram o meu forte. Por isso fui. Em tudo eu sou assim. Apenas vou. E usando a minha mais pura franqueza, confesso em nome de todas as almas do mundo que vocês também não sabem nada sobre onde vão. Fingem saber. E fazem isso com considerável minuciosidade. A vida é um grande teatro. Mas pela primeira vez na vida, pense nisso da forma profunda. E abandone a hipótese de mais um clichê.
 E o tal ônibus das janelas emperradas, de cor azul celeste e bancos macios parou na rodoviária. Fiz questão de não saber que lugar era. Desci dele com determinação semelhante a de um deus. E nesse êxtase de imortalidade, decidi que iria até o mar. Precisava do mar. Ele era essencial para coroar o meu reinado. Quando na mais pura coincidência (ou poderes divinos), me deparei com ele. O homem em que outrora me fez desejar ser humana. E em frações de milésimos, deixei de ser deus e me tornei tão humana quanto hoje sou. Não pude evitar de me derramar por dentro. Meu coração derreteu. Lembrei de todos os momentos/músicas/filmes/aleatoriedades. Não medi esforços para me afogar em lágrimas e desejar o fim da vida, mesmo antes de ver o mar. Até porque tinha água o bastante em meus olhos. E conclui naquele momento que tinha acabado de conhecer o mar. Em mim. Uma epifania.

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