Me desculpe, senhora. Hoje não posso te ajudar. Amanhã também não poderei. Nem depois disso. É claro que seria um ultraje lhe dizer isso, mas acho que não há ultraje maior do que a tentativa de ajuda para um caso desses. E ainda isso não pode ser dito. Então eu vou dizer um 'volta mais tarde' ou quem sabe um 'o sistema está fora do ar hoje', só para alimentar o seu bebê Utopia, porque ele não pode morrer. Não podemos deixar. Isso seria um ultraje maior do que o maior ultraje dos ultrajes. Faria perder todo o sentido. Sem o bebê você não tem motivo algum para pedir ajuda e eu não terei a quem não ajudar. Então vamos manter assim: um dia você volta mais tarde e no outro o sistema cai, ad infinitum. E quando houver algum indício de qualquer pouca vontade, posso variar com um 'um cachorro invadiu aqui com um exército de abelhas e mastigou todos os fios e vamos levar um mês pra arrumar tudo', e aí vou levar de fato todo esse mês para repor a energia de inventar algo desse tipo. Há momentos que minha vontade é de fato arrumar esse cachorro e esse exército de abelhas para que algo mínimo possa ser verdadeiro. Mas a vontade passa, para o bem comum. E posso voltar a não te ajudar e a não deixar você saber disso. Porque se você ao menos imaginar ou passar de raspão nesse pensamento de que NINGUÉM pode te ajudar, vai ser catastrófico. Eu não recomendo. E nisso eu posso te ajudar. Quem diria, não é mesmo? Estou aqui para te ajudar, senhora.

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