Curioso como a flecha faz jorrar mais sangue de acordo com quem atira. Atirada de dentro, era mais fácil de se defender. Ataque mais previsível. Hoje eu fui atingida de fora. Bem onde mais sangra. "Você já pensou que ele pode não voltar?", disse a flecha. E eu, pela primeira vez me dei conta que de fato ele poderia não voltar. E até então, eu só fazia esperar. O meu mundo não caiu. Despencou do Olimpo. Sangrou. Jorrou. Alagou. Sangue por todo lado. Parecia o apocalipse. Mas logo falei: "Não se desesperem! Não é o fim. É só o começo." Transformei aquela lágrima entalada em vapor para apaziguar a seca respiração do cérebro desoxigenado. E percebi bem ali, no meio daquele sangue todo, que a vida continua. Que a vida laça e desentrelaça. Que a vida se desdobra. Que a vida vai e não volta. Que a vida não espera. E eu também não. A vida não pode esperar. E eu sigo na barra da saia dela. Quem espera é esperança. Deixo isso pra ela. Eu sou vida, não esperança. Cansei de ser. Tive a minha segunda chance. Mesmo sem voltar, a vida voltou por mim. Não posso fazer a desfeita de não segui-la. E se ele não voltar? Bem, se ele não voltar, ele não vai voltar. Não vou deixar de ir.
Comentários
Postar um comentário